
"La vie est brève
un peu d'amour
un peu de rêve
et puis bonjour.
La vie est brève
un peu d'espoir
un peu d'rêve
et puis bonsoir."
diario? crônica literária? aranzel sem fim? sangue, bílis, fleuma ou linfa? não importa, penso sem norte.
Yo conocí una chavala
que no hacía sino mirar.
No había poder ni alcabala
que lo pudiera evitar.
?Qué más le podía importar?
Sólo mirar y mirar.
Se ponía a mirar el suelo.
Se ponía a mirar el cielo.
Horas y horas ve que ve.
Y nadie sabía por quê.
Pero después de ganar
todas las competiciones
dejó a sus ojos gozar
de unas buenas vacaciones.
I DON'T KNOW
| NANCYTA|
I don't know how distant it's from me
I don't know how distant it's from me
mas eu sinto bem, não sei no que isso é bom
About my hair? my hands?
sometimes I fear this moment
I'll be angry tomorrow, I feel incognito today
the picture is morphing to illogical forms
Quando eu marco as sombras que gosto
o desenho das sombras no chão
O desenho delas o reflexo delas
o desenho delas, o reflexo delas no céu
Shadows on the ground
I don't know how distant it's from me
I don't know how distant it's from me
Mas eu ligo a tv, não sei no que isso é bom
Yo estoy planeando,
no puedo tener control en los pies
I'll have the bomb tomorrow
I feel incognito today,
but I know the sun is shinning early morning
on the earth
How will I return? /Oh, I will return/how will I return?
how will I return? /Oh, I will return/How will I return?
shadows on the ground
Sombras no chão
sombras no chão
sombras no chão...
Já vem de dias isso. Sempre me vem, mas nem sempre me detenho. Quase nunca ultimamente: é tanto fôlego que a gente tem que tomar, muito pouco de onde tirar, e continuar mesmo sabendo que é assim... não tem jeito, vai sem fôlego mesmo! A gente murcha, fica eufórica, deprime, ironiza, e abstrai. Muita coisa pra administrar, volta e meia me dá isso de não querer falar nada, sentir nada.
E aí, sei lá, é um filme que cai na minha mão, a menstruação que vai se esvaindo, uma palavra entalada; letra de música, mais palavra entalada; uma saudade, outra palavra entalada; respirar fundo, perceber, ai, uma frase entalada! O tipo de bem-estar [ainda tem hífen aí, né? não vou me adaptar!]... o bem-estar que eu adoro, o gosto de lembranças, de todas as lembranças do mundo, gosto de palavra na boca. E, agora, com uma sensação que eu particularmente acho meio boba na minha cara, a sensação de satisfação com o momento, é um gosto ainda mais particular porque não sei muito bem de onde ele veio.
Gosto de palavra, gosto de vinho, gosto de maconha. Gosto de lassidão, gosto de entrega, gosto de despejo, de despojo, de esporro - os dois, do gozo e do berro. O gosto de refletir sem finalidade nem rédea, gosto de pensamento solto. Gosto de felicidade de videoclipe, com trilha sonora e tudo, ah, o gosto da ficção! Gosto de fim, gosto de viço. O gosto de rolar na areia abraçada com toda a beleza, de mentira ou de verdade. O gosto das verdades, da minha e da sua. Gosto de dádiva, gosto de comida de cachorro. Gosto do que vier, gosto do que tem aí pra mim. O gosto de todas as coisas, porque não consigo cuspir esse gosto de palavra da minha boca.

em verdade, acho que você nem deveria ter tentado. pelo menos, não na literatura. o romance é ótimo e coisa e tal. li quase que num fôlego só. mas aí é que está! não atribuo isso à trama. tava cagando pra onde tinha ido parar a Dulce, pra borboleta no meio dos peitos da filha dela, etc. li, escarafunchando você. e encontrando. em tudo. sorrindo assente e pensando "ai, bicha, você era mesmo um gatinho de rua, machucado e sarnento, mendicante e orgulhoso ...". entende? você era bom nisso de falar de si mesmo, de se proclamar oprimido e de se preferir assim. maldito e ao mesmo tempo o mais doméstico dos bichos. se desembaraçar do umbigo? pra quê? você não sacou que o grande lance era futucá-lo, gosto da tua sujeira e que se dane!
um afago no focinho sujo de terra.

*à memória de C.F.A, a quem devo parte do saber-me assim
"Sour Times"
É bem provável que, mesmo agora, com dezenas de teclas a meu dispor, eu esteja hesitante quanto ao que “escrever”. Pior ainda, é certo não saber se é direito. Uma comoção assoma neste instante em que sei que já não posso mais me furtar o deleite exasperado que somente o livrar-me de uma idéia, ao dar-lhe roupa de palavra, pode ter.
Meus dias sem uma rotina, propriamente dita e exaltada de forma estentória pelo imaginário coletivo, trazem meus pensamentos sempre febris, impelindo meus olhos a se abrirem, a se arregalarem mesmo, para assim, talvez, eu enxergar mais do que vejo. Não obstante, quem produz tal efeito é a inflamação na minha mente e, assim sendo, acabo por enxergar com candura o que não me fora ofertado, meus olhos piscam flamejantes, iracundos, com uma ofensa que não me fora dirigida... Seria mais preciso dizer, por certo, que vivo embebida em estados de ânimo espasmódicos e, se me coloco como agente da passiva, é porque disso não tenho passado: não são os estados de ânimo de Aline e, sim, a Aline dos estados de ânimo diversos...
De quando em vez, ponho as costas da mão esquerda sobre meu pescoço para me certificar de que o meu corpo também vivencia a mesma febre terçã, e me pego sorrindo mesmo antes de uma pele encontrar a outra para a citada certificação. E nisso de sentir febre sem o corpo sabê-lo, e nisso de sorrir disso, e nisso de ousar descrever isso de sentir e de sorrir de algo que não se pode comprovar, meus olhos inexoravelmente hão de marejar como se eu tivesse encontrado alguém que eu amo muito mas partiu como se para sempre e que agora eu avistasse caminhando na minha direção.
Sabe o quê mais? Eu quero amar essa visitante imaginária. Não, não, acabo de convencer-me de que a amo mesmo. Dei a ela cores e estatura, gestos e mãos, sombras e um desenho de traçado firme. Como qualquer mulher, ela tem uma história pintada na retina e muitas outras por trás e de algumas delas não me será dada notícia. Como a mulher que caminha para mim, tudo o que ela diz, ainda o que da boca não sair, é colhido com zelo ora de quem guia com maestria, ora de quem tateia o que não sabe que lá está.
Essa mulher conserva a pele sempre quente de tal maneira que a minha, que também deveria ser quente, teima em não o ser só para suplicar ainda mais os calores do corpo dela. Ela diz que eu devo ser sempre dela e pede que eu jure só suplicar assim por ela. Não tenho outra alternativa senão jurar de olhos risonhos e dizer que sim, mas que idéia, quem mais eu poderia querer? Juro e digo numa mentira escancarada que, ao invés de profanar meu juramento, só o doura de emolumentos e bálsamos.
Porque essa mulher que veio recostar sua cabeça majestosamente indecifrável em meus travesseiros para abrir meus poros aos suores, minhas pernas aos frêmitos e meus ouvidos aos apelos, não estará aqui quando eu acordar (e pode ser que se desembarace das minhas pernas no meio da noite), mas, com efeito, já é minha como eu sou da febre...


Não tire da minha mão esse copo
Não pense em mim quando eu calo de dor
Olha meus olhos repletos de ânsia e de amor
Não se perturbe nem fique à vontade
Tira do corpo essa roupa e maldade
Venha de manso ouvir o que eu tenho a contar
Não é muito nem pouco eu diria
Não é pra rir mas nem sério seria
É só uma gota de sangue em forma verbal
Deixa eu sentir muito além do ciúme
Deixa eu beber teu perfume
Embriagar a razão porque não volto atrás
Quero você mais e mais que um dia
Não tire da minha boca esse beijo
Nunca confunda carinho e desejo
Beba comigo a gota de sangue final




"Além disso, eu tinha desaprendido completamente a sua linguagem, a linguagem que também tive antes, e, embora com algum esforço conseguisse talvez recuperá-la, não valia a pena, era tão mentirosa, tão cheia de equívocos, cada palavra querendo dizer várias coisas em várias outras dimensões. Eu agora já não conseguia permanecer apenas numa dimensão, como eles, cada palavra se alargava e invadia tantos e tantos reinos que, para não me perder, preferia ficar calado, atento apenas ao borbulhar de borboletas dentro do meu cérebro. Quando foram embora, depois de preencherem uma porção de papéis , olhei para um deles daquele mesmo jeito que André me olhara. E disse-lhe:
- Só se pode encher um vaso até a borda. Nem uma gota a mais."

TOO DRUNK TO FUCK!!!! (Dead Kennedys)
